No PR: Idosa morta em casa de repouso foi assassinada por colega com esquizofrenia

Quatro pessoas foram indiciadas, pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), pelo assassinato de Malvina Graciana Pereira, de 85 anos, na noite de 12 de novembro de 2018. A idosa foi morta em uma casa de repouso em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, por uma colega que sofria de esquizofrenia. (Assista reportagem completa abaixo)

Idosa morta em casa de repouso estava na cama quando tudo aconteceu

De acordo com a denúncia, a vítima foi assassinada com a própria bengala depois que surpreendida na cama pela outra idosa. Os testemunhos dos proprietários da casa de repouso, assim como da funcionária que trabalhava no momento do crime, corroboram a acusação. 

“Era perto da meia-noite, não sei direito o horário, eu sei que era depois das 23h30. E a Maria de Lourdes Pompeu, tem um corredor e lá no final era o quarto da Maria de Lourdes Pompeu, ela saiu do quarto dela, andando esquisito e passou pela sala e em segundos eu já escutei a Malvina gritando. Eu corri até o quarto e já vi a Maria de Lourdes Pompeu dando bengaladas na Malvina”, contou Tatiane Aparecida Turski Domingos Ribeiro, funcionária do local, à polícia. 

Segundo laudo, realizado em dezembro de 2018, pelo Instituto Médico Legal (IML), a causa mortis foi traumatismo cranioencefálico por instrumento corto-contundente. Além disso, o exame também comprovou que a idosa morta na casa de repouso sofreu 16 golpes na cabeça, além de apresentar lesões no tórax e fraturas no corpo.

Mentiras sobre o que aconteceu na casa de repouso

Em um primeiro momento, tanto os donos da casa de repouso como a funcionária deram outra versão à polícia. Eles alegaram que Malvina havia infringido a si mesmo os ferimentos que levaram a sua morte, no entanto, a versão logo foi invalidada pela polícia já que os ferimentos não condiziam com autolesão. Além disso, a idosa havia sofrido um AVC, há alguns anos, e tinha um braço e uma perna paralisados.

“A situação que a minha mãe se encontrava, que ela ficou totalmente irreconhecível, totalmente com o crânio estourado, a cabeça toda estourada. Ela não tinha a menor chance de fazer isso. Ela não faria isso. Pelo o que nós entendemos dessa brutalidade, desse crime cometido contra minha mãe, não foi batido uma vez só não”, declarou Irineu da Silva, filho da vítima, à época do crime. 

Funcionária afirma que mentiu a pedido dos proprietários do local

Em depoimento, Tatiane explicou que mentiu a pedido dos donos da casa de repouso. “Na hora que aquele policial perguntou, teve um policial lá que perguntou, tem alguma possibilidade de um idoso ou uma idosa ter agredido essa senhora?’. Eu queria gritar, queria ir lá e pegar na mão do policial e levar até o quarto e mostrar foi essa senhora. Mas eu fiquei com medo por eles terem pedido pra mim mentir”, disse. 

Denunciados pela morte da idosa

Nair Regina Costa, proprietária da casa de repouso, foi denunciada por homicídio e fraude processual já que solicitou que Tatiane limpasse a cena do crime. 

Vidal Gonçalves Júnior, filho de Nair e também proprietário da casa de repouso, também por homicídio e fraude processual. 

Tatiane Aparecida Turski Domingos Ribeiro, cuidadora dos idosos, também por homicídio e fraude processual porque limpou a cena do crime.

Maria de Lourdes Pompeu, idosa com esquizofrenia, denunciada por homicídio doloso.

Murilo Jorge Pereira, advogado de defesa da família de Malvina, explicou que Nair, Vidal e Tatiane não respondem pela intenção direta de matar, mas por omissão. “Em relação a esses três denunciados, que respondem pela omissão, eles respondem não pela intenção direta de matar, mas a omissão deles é causadora do resultado que eles tinham o dever de evitar”, disse.

Sobre a mulher que cometeu o assassinato, a Justiça irá avaliar sua sanidade mental para entender se ela tinha consciência do que fez.  “Já foi instaurado um incidente de insanidade mental que é justamente para apurar a inimputabilidade dela, ou seja, em virtude da doença mental dela, ela não teria condições de agir conforme do direito, não seria exigível isso dela. Ao menos é o que preliminarmente apontou o inquérito policial”, explicou ainda o advogado. 

A casa de repouso foi fechada cerca de um mês após a idosa ter sido morta. Na noite do crime, eram 26 idosos e apenas uma cuidadora trabalhando no local. 

 


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