13/03/2019 - 04:31:00

Cerca de 32% dos detentos em MS est縊 empregados

Aproximadamente 5.800 presos nos regimes fechado, semiaberto e aberto estão inseridos no mercado de trabalho em diversas áreas em Mato Grosso do Sul. Com o objetivo de atrair mais empresas parceiras, a Agepen lançou na tarde desta terça (12), a cartilha “Mão de obra Carcerária” que traz explicações e orientações para futuros conveniados.

Dados da agência penitenciária apontam que 32% dessa massa carcerária está inserida entre as 187 empresas públicas e privadas em todo o Estado. Só em Campo Grande, 79 empresas são parceiras do projeto de ressocialização.

Atualmente, são mais de 187 parcerias realizadas que utilizam mão de obra prisional, segundo o sistema penitenciário estadual. As vagas surgem desde os regimes fechados, onde empresas parceiras instalam sua linha de produção dentro das próprias unidades prisionais, até parcerias nos regimes aberto e semiaberto, com diversas oportunidades de emprego dentro e fora dos presídios.

Segundo o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, o intuito é dar segmento a ressocialização no trabalho e na educação que é a base para o interno ter uma progressão e voltar ao convívio da sociedade. “Estamos divulgando essa cartilha justamente para aumentar essa meta e buscar mais empresas parceiras e divulgar como é feito esse trabalho, qual a vantagem para o empresário e o projeto social, nós entendemos que é uma maneira de divulgarmos o que é feito dentro da Agepen”, explicou.

Trabalhando com oito detentos do semiaberto há três anos, o empresário do ramo de erva- mate, Evandro José Lahr, disse ao Correio do Estado que a economia da empresa mudou bastante, mas o principal é ajudar na empregabilidade. “Não é só pela economia, mas o fato de dar a oportunidade para alguém recomeçar é gratificante. Por exemplo, um dos detentos que trabalha comigo há algum tempo, hoje é meu encarregado na empresa, tamanha confiança que eu tenho nele e acredito que mais empresários devem aderir a esse projeto’, finalizou.

Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL), Adelaido Vila, disse que a parceria com o projeto é fundamental não só para os lucros das empresas mas pela oportunidade de uma nova vida aos detentos. “Essa cartilha vai contribuir um pouco mais para quebrar preconceitos e incentivar os empresários a investir no recomeço dessas pessoas”, disse.

Jessica Fabiana, de 23 anos, foi presa por tráfico de drogas, está no semiaberto há mais de dois anos e mudou de vida quando começou a trabalhar como operadora de telemarketing, cargo que está há oito meses na própria sede na CDL. “Eu penso que quem quer mudar, muda. Eu sempre me esforcei na vida e por estar no lugar errado e na hora errada acabei sendo presa. Mas tanto dentro quanto fora, me esforcei e hoje estou aqui, como eu disse antes, quem quer mudar muda”, finalizou.



Cr馘ito Mat駻ia: BRUNA AQUINO
Cr馘ito da imagem: Foto: Valdenir Rezende/Correio do Estado